4.7.08

Havia uma mulher que gostava de lamber selos no seu tempo livre.

Quando você sai eu limpo. Eu limpo a vida, a casa, o cérebro. Quando você volta eu escuto suas estórias e vivo através do que você vive, e esboço um sorriso leve, de canto de boca, e me sinto verdadeiramente feliz. E quando você sai eu limpo.E olho meus selos e sonho em mandá-los, com minha saliva doce, ao outro lado do mundo. E quando você volta traz a moça que agora limpa quando você sai. Um descanço pra você, querida! - você diz. Que descanso? Canseira, isso sim! E agora quando você sai eu não limpo mais a casa, nem a vida, nem o cérebro.Eu sujo tudo com vodca e remédios pra emagrecer e meus selos tratam de sujar minha saliva doce que teima em sair da boca, oríficio escuro e ácido. Eu sujo a casa com pensamentos escusos, excrementos de uma mente ociosa. Eu sujo. Eu cuspo. Eu cuspo nessa vida oca, eu cuspo na sua cama, na sua cara, na minha cara, na minha carta, que leva meu cuspe doce, doce excremento da minha alma que agora viaja por aí cuspindo na cara de todos os carteiros do mundo.

2 comentários:

Patrícia Del Rey disse...

Muito bom!!!! É teu?
Amei e ponto final.

beso

Pelos Olhos disse...

hahahahahahahahahahaha
q loka!!!!
adorei